Juventude e Casamento

Dona Júlia nasceu em 1 de Outubro de 1928, na cidade de Santo Antônio de Jesus. Filha de Elisa Bibiano e Francilino Nunes, passou a juventude trabalhando na lavoura de café e em atividades agrícolas, ate o falecimento do seu pai, que engatilhou sua vinda para Salvador, para morar na região da ladeira do Cabula.

A mudança para Salvador atravessa alguns fenômenos históricos que poderiam explicar e situar historicamente essa migração. Durante a época da vinda de minha avó para Salvador acontecia em Santo Antônio de Jesus uma crise relacionada às atividades agrícolas e aos trabalhos associados à terra em razão do processo de industrialização da cidade. Nesse mesmo tempo minha avó migrou para a cidade para morar na região do Cabula.

O bairro do Cabula, especificamente a região que minha vó chama de ladeira do Cabula, ficou marcada por receber muitos imigrantes do interior do estado pelo seu fácil acesso. Essa região fica próximo a histórica estrada das boiadas, que ligava Salvador às cidades do interior. Por conta disso, era o lugar mais próximo da estrada em que as pessoas que chegavam de fora de instalavam.

A história mais marcante nas memórias da minha avó é sobre a forma como conheceu seu marido. Ela conta que, no fim das tardes, o ultimo bondinho que descia trazia soldados no fim do expediente e que ela ficava observando este bondinho passar perto de sua casa. Em um dia, observando o bondinho descer, ela acenou para um dos soldados.
Fonte: arquivo pessoal

Minha avó me disse que naquela época essa atitude não era comum, porém, como era "moleca" o fez. O soldado a quem ela cumprimentou desceu do bonde em uma parada e voltou a pé para saber quem tinha cumprimentado ele. Esse solado era Rodrigo Braga, que trabalhava no 19º Batalhão de Caçadores: A partir disso, se conheceram e durante o fim das tardes ele a visitava e ela o esperava no caminho de volta para o trabalho. Não demorou para começarem a namorar e a se casar. Podemos chama-los de "A dama e o soldado":


Fonte: Arquivo pessoal

2 comentários:

  1. Que história linda e marcante, nossa! De pensar que um simples gesto da dama fez o soldado ir a luta por ela. Hoje em dia não se veem mais histórias como essa...
    AMEI, EMOCIONANTE!!

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  2. Que lindo! Nossas avós sempre têm ótimas histórias para contar! A minha também foi muito "moleca" kkk.. Beijos!

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